Dedetização de Roedores – Desratização RJ

 

Biologia das Espécies de Ratos mais comuns no Rio de Janeiro

Com a finalidade de propiciar a plena compreensão dos aspectos técnicos abordados em nossas Propostas, listamos as principais Espécies de Pragas encontradas no Rio de Janeiro, as quais serão descritas juntamente com a metodologia de combate usada para cada uma:

Roedores:

Rattus norvegicus – ratazana.

Rattus rattus – rato de telhado.

Mus musculus – camundongo.

Ordem Rodentia

Ao contrário de nossas espécies Indígenas de roedores, que raramente se tornam uma praga ou vetorizam doenças ao homem, a ratazana, o rato de telhado e o camundongo, espécies exóticas, Introduzidas em nosso país, desde os primórdios de sua colonização, através dos navios que aqui aportavam, por seu comportamento, primordialmente domiciliar, representam um permanente risco para nossa saúde e patrimônio.

Características Gerais:

Hábitos: são animais de hábitos noturnos, sendo detectados durante o dia somente em locais ermos e em casos de superpopulação.

Sentidos: possuem olfato, paladar, audição e tato bem desenvolvidos. Já a visão não é tão aprimorada.

Territórios: os ratos vivem em colônias, dentro de territórios demarcados por sua urina. Estes territórios são defendidos contra a invasão de ratos de outras colônias ou Espécies diferentes.
Disseminação: a disseminação dos ratos pode-se dar por penetração ativa e passiva. No primeiro caso, estes roedores invadem uma determinada área. Por seus próprios meios (andando, correndo, cavando, etc…) a partir de áreas vacinadas, Já infestadas. No segundo caso, são introduzidos em embalagens de mercadorias e carrocerias de veículos, em que se encontram ocultos.

Rattus norvegicus (Ratazana)

Rattus norvegicus

Quando adulta, mede de 21 a 26 cm de comprimento, sua cauda grossa é igual ou mais curta que o comprimento do corpo e é um pouco pilosa. Sua pelagem é áspera e de tom acinzentado. Há tipos escuros e albinos. Os pés têm membranas interdigitais, fato que lhe confere, também, hábitos aquáticos (sabe nadar e mergulhar muito bem). Nidifica geralmente no solo cavando um ou mais túneis que levam ao ninho.

A fonte de alimento pode estar a dezenas de metros de sua ninheira. Vivem de 2 a 3 anos. Procriam de 8 a 10 vezes deixando mais de 50 descendentes.

Rattus rattus (Rato De Telhado)

rattus rattus

Quando adulto mede de 19 a 22 cm, sua cauda é fina e um pouco mais longa que o corpo e a cabeça juntos. Suas orelhas são longas (a metade do comprimento da cabeça) e quase livres de pêlos, seu dorso é negro, clareando das laterais para o ventre. Sua cauda longa torna-o muito ágil para saltar, trepar e correr. Desliza espetacularmente por fios, dutos e caibros. Nidifica geralmente nas partes altas das edificações, vivem cerca de 1 ano, procriam de 3 à 4 vezes, deixando aproximadamente 36 descendentes.

Mus musculus (Camundongo)

Mus musculus

Quando adulto mede de 6,0 a 9,0 cm. As orelhas são relativamente grandes e translúcidas. Sua cauda é proporcional ao tamanho do corpo. Nidificam dentro das edificações, geralmente bem próximo as fontes de alimento e vivem cerca de 1 ano, procriando de 4 à 5 vezes, deixando aproximadamente 35 descendentes.

Importância Econômica

Afora os gastos com a recuperação da saúde das pessoas atacadas ou enfermas por doenças por estes vetorizadas, respondem os roedores por enormes perdas em todas as áreas agrícolas. Por seu hábito compulsivo de roer, freqüentemente danificam tubulações de PVC, fiações telefônicas e elétricas, sendo que neste caso, não muito raramente ocorre curto-circuito, seguido de incêndio.

Importância Sanitária

Infelizmente os roedores não causam somente danos materiais. Na verdade, o papel mais triste que o rato representa é sua ação como transmissor de doenças (zoonoses) a outras Espécies animais. Dentre tantas doenças onde os roedores participam direta ou indiretamente podemos citar apenas para caracterizar a gravidade do problema:

Leptospirose – (causada por Leptospira sp.): nesta doença, os espiroquetas se albergam nos rins dos roedores, os quais não sofrem nenhum mal com isso, mas os transmitem continuamente através da urina que, misturando-se na água, lama ou certos alimentos aquosos, podem penetrar no homem e outros animais através das mucosas ou da própria pele íntegra ou principalmente escoriada.

Peste – Bubônica, Pneumônica ou Septicêmica – (causada por Yersinia pseudotuberculosis pestis): uma das doenças mais antigas que afligiu a humanidade, transmitida através da pulga do rato (Xenopsylla cheopis). A “morte negra”, como era chamada, chegou a matar milhões de pessoas na Europa e Ásia medievais, transmitida naquela época pelo rato preto (Rattus rattus). Embora hoje não tenha a mesma expressão, a “Peste” continua ceifando vidas humanas em inúmeros países, inclusive no Brasil (particularmente no nordeste), onde os roedores responsáveis pela transmissão são de diversas Espécies silvestres principalmente.

Tifo Murino – (causado por Rickettesia mooseri): outra zoonose onde a pulga do rato é a transmissora principal.

Febre Da Mordida Do Rato E Sodoku – (causada por Streptobacillus moniliformis e por Spirillum minus respectivamente): os ratos freqüentemente mordem bebes, crianças e idosos confinados às suas camas, transmitindo essa zoonose através de sua saliva.

Triquinose – (causada por Trichinella spiralis): suínos ingerem as fezes ou cadáveres de ratos infectados e o homem se infecta ingerindo a carne mal cozida desses suínos.

Raiva – (causada por Vírus Rábico): o papel dos roedores na transmissão dessa virose fatal é hoje bastante discutido. Ao que parece, o roedor seria incapaz de transmitir a Vírus Rábico, posto que ele contrai a forma paralítica da doença.

Salmonelose – (causada por Salmonella spp.): também conhecida como envenenamentos alimentares bacteríanos, causam severas gastroenterites agudas. As ratazanas (Rattus norvegicus) são especialmente incriminadas na contaminação dos alimentos, principalmente porque freqüentam ambientes altamente contaminados, como os esgotos.

Sarnas E Micose – os roedores em geral parecem poder disseminar mecanicamente os agentes causadores dessas ectoparasitoses, tanto ao homem como a outros animais.

O efeito “Bumerangue ou Inversão de Efeito

É observado em locais onde se executou uma desratização, eliminando a população de ratos infestante, mas não se manteve o controle químico preventivo da mesma. Caracteriza-se por uma rápida reinfestação da área, com índice populacional de ratos bem maiores ao período anterior a desratização. Esse fato assim se explica:

O território (área) está livre, não há roedores estabelecidos defendendo-o; Não há controle químico e preventivo, resguardando a área;

Os ratos vindos de áreas vicinais com superpopulação invadem e se estabelecem desordenadamente na área desprotegida, ocasionando uma altíssima infestação;

Os fatores limitantes naturais (disponibilidade de alimentos, abrigos,…), reduzem a população de ratos a níveis iguais ou pouco maiores, ao da época da desratização.

É fácil concluir então que, na maioria dos locais (a exceção do intradomicílio), desratizações isoladas não surtem o efeito desejado e ainda implicam percentualmente em um maior risco de agravos à saúde e danos causados por roedores, já que a população de ratos aumenta com o efeito “bumerangue”.

Vias de Infestação por Roedores

São duas as vias de penetração por roedores em uma determinada área, a saber:

Penetração Ativa: ocorre quando roedores oriundos de áreas vicinais infestadas invadem por seus próprios meios a área contígua. A penetração ativa é primordialmente usada por Rattus norvegicus (ratazana) e Rattus rattus (rato de telhado). Pode eventualmente ser usada por Mus musculus (camundongo), todavia é rara em áreas abertas é mais comum no interior de edificações.

Penetração Passiva: ocorre quando roedores são introduzidos, em uma determinada área, ocultos no interior de embalagens, máquinas e equipamentos. É a principal via de disseminação de Mus musculus (camundongo). A invasão por ratazanas e ratos de telhado de forma passiva, também ocorre, porém com intensidade muito menor.